O que aprendi sobre carreira com o filme Diabo Veste Prada?

Você já assistiu ao filme O Diabo Veste Prada?

Recentemente, na pós que faço de Gestão de Negócios, precisei de fazer uma reflexão sobre o filme e compartilho com vocês neste artigo.

O filme relata um dilema vivido pela personagem principal Andrea (vivido por Anne Hathaway) que acaba colocando em cheque seus valores e decisões de carreira. Dilema bastante comum nos dias de hoje, concorda? Afinal, você tem feito decisões na sua carreira que estão plenamento alinhados aos seus valores pessoais, seus ideais de vida? O que você tem feito para superar este dilema? Proponho a seguir, algumas reflexões sobre o filme, sobre valores e carreira. Vamos lá?

A protagonista Andrea vive um dilema pessoal e profissional ligado principalmente ao fato dela não conhecer com segurança a si própria, seus valores e forças. Talvez por nunca ter passado por uma situação em que estes valores tivessem de ser confrontados.

Como mostrado no filme, ela mudou-se para NY recentemente e estava a procura de um emprego em que ela pudesse criar um networking profissional. Ela consegue, então, uma vaga de assistente de uma famosa editora de revista de moda. Já na entrevista fica claro que ela não estava preparada para a vaga, pois não conhecia a editora chefe, nunca havia lido a revista e muito menos entendia sobre o negócio – a indústria de moda.

Com a oportunidade dada por sua chefe, ela tenta se adequar ao trabalho depois de alguns feedbacks do colega de trabalho, na tentativa de provar para si mesma que poderia ficar com a vaga. O dilema interno vivido por ela se aprofunda a medida que situações vão a colocando em xeque. Situações estas como quando o tempo dedicado aos amigos e família fica cada vez menor ou quando ela precisa tomar uma decisão de assumir uma posição almejada por sua colega de trabalho (dilema ético/moral).

Enfim, diversas decisões no trabalho precisam ser tomadas e ela, aos poucos, a medida que analisa a repercussão de seus atos, percebe que está tomando as decisões “erradas”, ou melhor dizendo, decisões que são incompatíveis com seu sistema de valores, forças, modelo mental e modo de trabalhar. Interessante notar que ela só percebe a solução de seu dilema no momento em que nota que ela não gostaria de ter a vida da Miranda, sua chefe e conclui que precisa repensar suas decisões e encontrar um espaço ao qual ela pertença.

Peter Drucker, uma das maiores referências da Administração, indica que é preciso conhecermos nossas próprias forças, nosso sistema de valores e também nosso modo de trabalho (como gostamos de fazer as coisas), para que possamos saber a que lugar pertencemos, ou seja, para podermos, assim, tomarmos decisões mais adequadas em nossa carreira e claro, na vida. Além disso, é importante também que a energia, os recursos e o tempo sejam dirigidos para otimizar as áreas em que somos fortes e minimizar os nossos pontos fracos quando necessário. Este exemplo fica claro quando percebemos que Andrea se esforça em áreas em que ela, aparentemente, não teria tantas aptidões, como por exemplo, ao ter de realizar tarefas como comprar café, guardar casacos, acompanhar a chefe em eventos sociais da moda e outras tarefas do gênero enquanto que o seu forte é a escrita, o jornalismo, o trabalho intelectual.

Andrea só passou a conhecer suas forças, valores e aptidões, quando assumiu a vaga. Muita energia, tempo e frustrações poderiam ter sido evitadas se ela se conhecesse melhor e focasse nas suas aptidões e seguisse decisões compatíveis com o que ela valoriza e almeja.

Algumas perguntas para ajudá-la a traçar seus valores e “jeito de trabalhar”:

Quais são seus pontos fortes e fracos? Você precisa focar energia nos seus pontos fortes. Se você tem dúvidas, um exercício simples é pedir a 3 pessoas que você conheça bem e que você confie para te indicar 3 pontos fortes e  pontos a melhorar. Busque conhecimento em áreas que você possa exercer seus pontos fortes. Descubra as áreas em que você carece de dotes/aptidões mínimas.

Qual é o seu modo de trabalho? Você é mais do tipo “leitor” ou “ouvinte”? Aprende mais escrevendo e lendo ou ouvindo? Prefere se preparar bem antes de uma apresentação em públicou ou é melhor improvisando? Se for a primeira opção provavelmente é leitor. Saber isto é importante para o seu relacionamento com colegas, subordinados ou chefes.

Você trabalha melhor solitária ou com outras pessoas? Prefere ambiente silencioso ou lida bem com interrupções constantes?

Prefere ambiente mais estruturado com regras e procedimentos claros ou gosta de trabalhar sob pressão ou ambiente menos estruturado?

– Se sente melhor em uma pequena organização ou prefere ser parte de uma grande engrenagem?

Você produz resultados melhores quando é conselheira ou tomadora de decisão? Muitas pessoas são melhores como conselheiras, mas não suportam a carga e a pressão da decisão. Outros em contraste precisam de um conselheiro para força-las a pensar mas depois podem tomar a decisão e agir em função dela com rapidez e confiança.

Enfim, quais são seus valores? Que pessoa você quer ver no espelho ao acordar? Qual sua contribuição no mundo, mesmo que pequena?

Diga a sua preferência de trabalho para as pessoas ou procure um ambiente em que você possa exercer melhor o seu “modo” que é único. Você terá muito mais resultado trabalhando a sua maneira. Conhecendo seus valores, você poderá ir em busca do seu espaço, do lugar que você pertence.

Como você se vê hoje na sua carreira? Se sente alinhada com seus valores?

Vamos conversar nos comentários.

“despertar"


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About The Author

Karine Drumond

Karine Drumond é co-fundadora da Negócio de Mulher. Atua ajudando outras empreendedoras a transformarem ideias criativas e habilidades em negócios diferenciados. Também acredita no empreendedorismo como ferramenta de transformação. Trabalha com Design e Negócios Digitais desde 2006 e compartilha seu conhecimento e ideias neste site.

  • Adorei o texto!
    Acho que o filme também traz uma outra reflexão, de um diálogo que gosto muito no filme:

    Andrea vai lamentar sua situação, seus problemas e frustrações com o chefe de figurino. Ela insiste que esta tentando, mas nada resolve ou atende Miranda. Ele responde que ela ainda não “tentou de verdade”, e a partir daí ela muda seu comportamento, e passa a dançar conforme a música, passa a trabalhar com mais inteligencia, do que emocionalmente. Através disso passa a ser bem sucedida. Acho muito legal isso, pois nem sempre temos chefes e trabalhos fáceis ou confortáveis, mesmo alinhado com nossos valores. Ou seja, pare de se lamentar e mude seu comportamento.

    • Anônimo

      Obrigada pelo seu comentário Natalia!

      Excelente observação. Muitas vezes estamos em um contexto que pode ser um passo para darmos um pulo maior, ou em alguns casos só estamos sendo reativas. A Andrea diz para o pai que queria mesmo fortalecer seu networking, conhecer novos contatos. E quando ela recebe este feedback ela passa a mudar seu comportamento, aceitando seu contexto e passando a ser reconhecida pelo esforço/dedicação.

  • Evelyn

    Texto fabuloso. Eu quero acrescentar um comentário que fiz a amigos quando assistimos a primeira vez. Definitivamente um dos mitos-jargões do mundo corporativo ” a oportunidade vem pra quem está preparado” é derrubado neste filme, que é baseado em fatos reais. Por golpe de sorte ou seja o que for uma total peixe fora dagua foi lançada num aquario sem nem sequer tem tempo de se ajustar o ph do ambiente. Aprendeu muito com isso, com certeza. Karine anotei suas observações vou repensar, a cada dia um novo aprendizado. Obrigada