Não espere até a aposentadoria para fazer o que gosta

Por Marina Sell Brik

ee628a185f2b98f0ba50f23fd8996cc3

Quem já não ouviu ou disse a frase “quando eu me aposentar, vou fazer tal coisa”? E geralmente “tal coisa” é morar na praia, abrir uma pousada, cursar Filosofia, aprender francês ou tocar um instrumento. Pois bem, na mesma hora em que ouço isso me vem a pergunta: por que esperar? Ok, entendo que hoje a vida está corrida para todo mundo, não temos tempo pra mais nada, especialmente para o que mais gostamos – e que geralmente não dá muito dinheiro. Mas também vivemos em um país livre, temos o direito de escolha e podemos (devemos) questionar o status quo.

Dizem que a minha geração, chamada Y, já está fazendo isso e, ao contrário da X, não quer mais saber do modelo workaholic. Também não acredito muito nessas definições de geração, mas percebo que a crise dos 30, 40 ou 50 está colocando todo mundo pra pensar. Pra que trabalhar tanto? Para chegar na aposentadoria e daí sim curtir a vida? Para quando os filhos já estiverem crescidos, os pais não mais presentes e a saúde bem mais ou menos, daí sim aproveitar? Podemos questionar isso, não? Não tenho como fugir do lugar-comum ao afirmar que prefiro sacrificar uma grana extra no fim do mês para poder passar mais tempo na praia ou ter mais contato com a família e os amigos. Sendo empresária e portanto, autônoma, claro que já sacrifiquei alguns finais de semana para o trabalho, mas foram poucos. A diferença é que, neste caso, trabalhei mais para mim mesma. E está aí outro questionamento importante: os rumos da carreira.

Para começo de conversa, hoje contamos com a opção de ter mais de uma carreira nesta vida. Claro que trabalho é trabalho e sempre vai ter um momento ou outro mais chatinho ou desgastante. Porém, se ele está prejudicando sua vida, seus planos, sua saúde, questione.

Uma grande revolução que aconteceu na minha vida foi ter começado a trabalhar em casa. Questionei a formatação existente e resolvi arriscar. Não queria mais trabalhar em empresa alguma, queria ter meu próprio negócio. Trabalhei como assessora de imprensa em várias agências renomadas e bacanas, mas o dia-a-dia da profissão estava me desgastando muito. Montei meu home office em 2006 e comecei a atender alguns clientes como assessora em casa. Trabalhei nesta área até o ano passado, quando percebi que o problema mesmo era a assessoria de imprensa. Trabalha-se muito, esbarra-se em egos e às vezes o retorno esperado não chega na forma de clipping. Mídia espontânea tem dessas.

Como gosto muito de escrever e aprendi com a minha profissão a redigir e editar textos com rapidez, foquei o meu trabalho de jornalista na área de freelancer, com muito mais liberdade. Hoje, escrevo várias matérias para diversas revistas e sites por semana (monotonia zero!), além de já ter lançado dois livros. Também trabalho com palestras e consultoria em uma área que adoro falar a respeito e pesquiso muito, o trabalho remoto. É uma nova carreira que me motiva a levar mais pessoas a conquistar a mesma qualidade de vida que tenho. Sinceramente, não fosse pela formatação do trabalho em casa, não conseguiria fazer essas coisas que me deixam felizes antes de me aposentar: ballet duas vezes por semana (das 10 às 11 horas, horário impraticável se estivesse em uma empresa) e praia nos finais de semana estendidos (mesmo no inverno).

Bernard Shaw já dizia que “liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela”. Realmente, é preciso muita responsabilidade e disciplina – quem diria – para conquistar liberdade. Mas que vale a pena, vale. Então, questione. E procure aproveitar a vida antes da aposentadoria.

Marina Sell Brik é jornalista e autora do portal GoHome, além dos livros As 100 Dicas do Home Office e Trabalho Portátil. É especialista em home office e fã deste modelo de trabalho.

RECEBA NOSSO MATERIAL GRATUITO POR EMAIL

* campos obrigatórios
“despertar"
About The Author

Negócio de Mulher

Negócio de Mulher nasceu de um sonho: inspirar e ajudar outras mulheres empreendedoras. Quem escreve por aqui são as sócias: Karine Drumond e Priscila Valentino com colaboração de outras mulheres que compartilham dos mesmos propósitos.