Entrevista com a criadora do Doatorium, plataforma de doações online

Conversamos com a Juliana Saldanha e ela conta neste texto, como foi criar o Doatorium, os desafios e as conquistas que tem enfrentado.

por Juliana Saldanha

DoatoriumO Doatorium é uma plataforma de compartilhamento de doações. Nosso objetivo é estabelecer uma cultura de compartilhamento aqui no Brasil e evitar com que as pessoas descartem itens que ainda estão em boas condições e que talvez possam ser úteis para outra pessoa do mesmo bairro ou da mesma cidade. Todo mundo tem alguma coisa que já não utiliza mais e muitas vezes a forma mais fácil de livrar-se dela é descartando ou acumulando em algum canto. E se a forma mais rápida e simples fosse utilizar o Doatorium? Seria com certeza mais sustentável!

A ideia é que o Doatorium seja uma rede social. Cada pessoa pode cadastrar seu perfil e lá cada um tem seu histórico: de pedidos de doações que estão sendo solicitadas a ela (caso tenha disponibilizado algum item), doações já realizadas e os itens que ela também requisitou. Assim, antes da pessoa doar ela pode verificar o histórico de quem está requisitando e, assim, decidir para quem será feita a doação. O doador pode optar por doar ao primeiro que pedir ou, então, exigir uma justificativa.

Decidi empreender com o Doatorium porque a demanda é real. Todos nós acumulamos muitas coisas que já não fazem mais sentido naquele momento. Coisas ainda em boas condições e que por vezes são descartadas por não sabermos quem precisa daquilo. Essa é uma atitude nada sustentável e social. Decidimos fundar o Doatorium para que quem queira doar encontre exatamente quem está precisando ou querendo sua doação. Porque acredito que opções inteligentes que melhorem o mundo ao nosso redor devem se tornar realidade! Temos tantas ferramentas, porque não utilizá-las para um propósito maior?

O que te motiva?

A velocidade com que estamos ganhando parceiros e apoiadores da causa fazem com que minha motivação aumente e eu me dedique cada vez mais ao projeto. Empreender até final do ano passado nunca tinha sido minha intenção, entretanto o contato com as ferramentas, pessoas e energia do ecossistema empreendedor me moldou de forma a não querer fazer outra coisa na vida.

Sempre tive uma postura mais corporativa e minha meta ano passado era trabalhar em uma grande empresa. Não sabia o que era empreendedorismo, nem uma startup. Entretanto ao começar a trabalhar em um setor que fomenta a cultura empreendedora na universidade, conheci pessoas e práticas que me transformaram (ou evidenciaram meu perfil empreendedor) pouco a pouco.

Desafios e oportunidades

Hesitei muito antes de decidir empreender. Não é fácil fazer essa escolha. Atribuo isso principalmente à pressão da sociedade (nossos amigos, família, colegas) que dizem que ao formar em uma boa universidade você deve seguir o caminho já traçado para você naquela área de formação. Você vê seus amigos fazendo carreira e ganhando mais que você e essa é uma pressão muito grande. Você começa a refletir se não deveria fazer o mesmo, já que você tem competência para tanto. E talvez esteja só perdendo tempo com seus sonhos.

Hoje saio do meu trabalho atual e me dedicarei a duas empresas minhas. Minha dúvida maior era se daria certo. Se eu teria retorno rápido. Se eu teria reconhecimento devido. Se quando e se eu me arrependesse por empreender eu já teria perderia o meu “timing” para entrar em grandes empresas do mercado. Se eu realmente tinha perfil empreendedor para seguir em frente.

As oportunidades de empreender só surgiram porque tive dedicação em tudo que fazia no meu trabalho. Porque entregava resultados e fazia tudo com paixão. A partir do momento em que você se entrega, você abre portas. E foi isso que aconteceu comigo. Sou totalmente focada em satisfazer quem recebe meu trabalho, seja meu chefe ou meu cliente. E isso é fundamental no mercado de trabalho.

Empreender não é fácil. Às vezes você só quer receber ordens e não ter que sempre estar a frente das tarefas, porque caso contrário nada acontece. Às vezes você quer se desligar de tudo no final de semana. Mas o empreendedor não consegue. Porque tudo depende dele. Não existe horário de trabalho comercial de segunda a sexta apenas, como todo mundo tem. E você é sim um ponto fora da curva e os outros sempre vão te questionar o que você anda fazendo e porque não arruma um trabalho “normal”. Ser empreendedor exige perseverança, autocontrole e autoconhecimento.

Pareço que queiro desmotivar quem quer empreender. Mas muito pelo contrário. Quem tem perfil lerá isso e se motivará ainda mais. São desafios diferentes a cada dia. Flexibilidade e autonomia que não tem preço. Trabalhar em uma ideia sua e vê-la se concretizando é indescritível. É você se levantar todo dia apaixonado com o que faz. E é enfrentar o mundo para mostrar que o que você faz tem propósito e dará certo, sim, apesar de todas as críticas. E caso não dê, ser empreendedor é não desanimar, é levantar-se e começar de novo. Com a mesma motivação e a mesma paixão.

Para quem pretende empreender, arrisque-se, coloque a mão na massa. Só na prática você descobrirá se é um empreendedor e o quanto isso é prazeroso!

“despertar"


“coaching

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About The Author

Negócio de Mulher

Negócio de Mulher nasceu de um sonho: inspirar e ajudar outras mulheres empreendedoras. Quem escreve por aqui são as sócias: Karine Drumond e Priscila Valentino com colaboração de outras mulheres que compartilham dos mesmos propósitos.

  • Neusa Ruana Netto Corniani

    Parabéns pelos trabalhos! Fazer parte de um projeto que ajude o mundo se tornar melhor é tudo de bom!

  • Show de bola essa ideia, super inovadora e sustentável. Adorei o projeto e o depoimento da empreendedora que como ela mesma disse que quem ler a reportagem e se identificar com empreendedorismo só tende a se animar e correr atrás de seus objetivos. Parabéns e sucesso!