Entrevista com a Zica Assis, eleita uma das 10 Mulheres de Negócios mais poderosas do Brasil

Zica assis

Maior rede especializada em cabelos crespos e ondulados do país, o Instituto Beleza Natural, vai inaugurar sua primeira unidade em Belo Horizonte (MG), com a data de 27 de março prevista para início de operação. Recentemente a Zica, empresária responsável pela rede, foi eleita uma das ‘10 Mulheres de Negócios Mais Poderosas do Brasil’ pela Revista Forbes, além de ter sido escolhida ‘Empreendedora do Ano’ pelo Estadão PME. Conseguimos realizar uma entrevista com a Zica, que conta a seguir como foi fundar o seu negócio inovador e também deixa dicas e conselhos valiosos para quem está começando.

O que é o seu negócio atual?

De forma revolucionária e com produtos exclusivos, o Instituto Beleza Natural desenvolve, há 20 anos, soluções completas para o cuidado e tratamento para cabelos crespos e ondulados. O primeiro salão foi aberto no Rio de Janeiro, em 1993. Hoje, são 19 institutos em operação, sendo 12 no estado do Rio de Janeiro, dois no Espírito Santo, dois Bahia e três em São Paulo. Por mês, passam pelos salões mais de 100 mil clientes. A rede tem apresentado um crescimento médio de 30% em faturamento ao ano. Seu público-alvo são mulheres e homens das classes B, C e D, entre 18 a 45 anos, que têm cabelos crespos e ondulados e não desejam alisá-los, e sim deixá-los bonitos naturalmente, com cachos definidos e hidratados. O tratamento carro-chefe da rede é o Super-Relaxante, que tira o volume dos fios sem alisá-los e define os cachos, e também toda a linha de produtos Beleza Natural, que hoje conta com 50 itens diferentes para cuidados domésticos dos cabelos cacheados. O BN também possui fábrica própria, a Cor Brasil Cosméticos, responsável pela produção de 250 toneladas de produtos por mês, dentre produtos profissionais e de uso doméstico.

Em 2013, a empresa fechou um acordo societário com a GP Investments, que adquiriu 33% do negócio.

Por que você decidiu fundar a Beleza Natural?

Meus cabelos (muito crespos e sem maleabilidade) me incomodavam muito. Resolvi, então, estudar para ser cabeleireira porque acreditava que, conhecendo meu fio, poderia fazer alguma coisa para melhorar minha situação – não me conformava em ter de alisar os cabelos para ficar com um aspecto razoável. Passei dez anos estudando o fio crespo e misturando e testando cremes e produtos com o intuito de me dar aquele visual sonhado: cabelos naturais, cheios de cachos, com brilho, maciez e beleza. Quando cheguei à fórmula que deu aos meus cabelos mais maleabilidade, além de ficar extremamente feliz com o resultado, percebi que poderia levar essa solução para várias pessoas da minha comunidade, todas com um problema similar ao meu. Uma vez pronta, a fórmula foi encaminhada para um químico “formalizar” sua composição e para que pudéssemos registrar a patente – foram 10 anos de pesquisa.

Que sinais você teve ao longo do caminho que te dizem que você está indo para o “caminho certo”?

Após a abertura do primeiro salão em 1993, em um fundo de quintal na Tijuca, não demorou muito para surgirem imensas filas de clientes a procura do tratamento. A equipe tinha que trabalhar até de madrugada para tentar atender toda a demanda.

E a novidade não parava de se espalhar, pois havia clientes que vinham de fora do Rio para tratar seus cabelos e, ao retornar para suas cidades, traziam mais três, depois mais cinco, dez, e chegavam a formar ônibus para vir se tratar no Rio. Além da clientela local, há cerca de 170 caravanas de mulheres espalhadas pelo país, que viajam uma média de 500 km de distância apenas para realizar os serviços disponíveis nos Institutos. Esses foram alguns dos sinais que tivemos durante nossa trajetória, o que tornou inevitável a nossa expansão.

O que mais te motiva na sua atividade atual?

É muito importante conhecer muito bem o mercado que vai atuar, o que o seu cliente gosta, qual o perfil do seu cliente. Quando fundamos o primeiro salão Beleza Natural conhecíamos muito bem os problemas que cada um de nossos clientes vive: uma batalha com o próprio cabelo, baixa autoestima, dificuldade para relacionar-se profissionalmente e socialmente.  E isso fez toda a diferença. Além disso, a paixão pelo segmento é fundamental. Não adianta começar um negócio pensando apenas em ganhar dinheiro. O importante é entender do que se vai fazer e, principalmente, amar esta atividade verdadeiramente. E, mais do que tudo, o empreendedor deve sonhar alto e nunca deixar de acreditar neste sonho. Se fossemos dar ouvido aos outros ou desistíssemos diante do primeiro obstáculos, o Instituto Beleza Natural nunca teria chegado aonde chegou, com 19 salões, mais de 2 mil colaboradores e um atendimento médio de 100 mil clientes por mês.

A que fatores você atribui a suas conquistas atuais?

O Beleza Natural é um salão único, com a proposta de valorizar os cabelos crespos, ondulados e cacheados de mulheres de todas as cores e raças. Negras, brancas, pardas, enfim. Somos um país miscigenado e 70% da nossa população tem cabelos crespos em algum nível. Nada mais justo do que termos um salão que ofereça um tratamento direcionado e especializado neste tipo de fio.

Além disso, tudo foi conquistado com muito treinamento, pesquisas qualitativas constantes, pesquisas de geomarketing (para saber onde vamos abrir novas unidades), uma área de endomarketing forte, responsável pela manutenção da cultura da empresa, uma área de desenvolvimento humano, responsável pelos treinamentos de equipe e manutenção do nosso padrão… Neste processo, diria que a ajuda da Endeavor, ONG internacional que apoia o empreendedorismo, foi fundamental. Nós somos Empreendedores Endeavor desde 2005. A ONG foi muito importante no processo de profissionalização da gestão.  Eles também nos ajudaram a criar novos planos de expansão. Para isso, duas equipes com profissionais de altíssimo nível do centro universitário americano Massachusetts Institute of Technology (MIT) passaram alguns meses conosco. A ONG ajudou muito na divulgação da empresa e por isso a marca Beleza Natural é muito mais conceituada.

Quais foram as suas principais dúvidas e angustias quando você decidiu empreender?

Naquela época os recursos financeiros eram muito escassos e no início encontramos muita dificuldade para conseguir empréstimos e créditos. O que conseguimos foi, basicamente, com as economias que meus sócios Leila Velez e Rogério Assis tinham e o dinheiro da venda de um fusca antigo do meu marido, Jair Conde. No total, equivaleria a uns R$ 6.000,00 hoje.

O que você diria para quem pretende empreender?

O mais importante é correr atrás de seus sonhos e não desistir diante da primeira dificuldade. Para começar qualquer negócio é importante entender bem e amar verdadeiramente o ramo no qual vai atuar ou pretende investir. O trabalho só é bem feito quando se gosta do que se faz. É imprescindível estudar e buscar novos conhecimentos, pesquisar o mercado em que vai atuar. Este é o meu conselho para qualquer pessoa: tenha muita determinação, força de vontade e procure aprender um ofício e se dedicar a este aprendizado. É importante também cercar-se de profissionais que te ajudem e tenham conhecimento em diversas áreas. Ninguém faz nada sozinho, portanto, junte-se a pessoas competentes e do bem. E procure, por meio do seu trabalho, ajudar pessoas a sua volta. Esta é uma excelente forma de gerar emprego e ajudar o Brasil a crescer mais. Não perca o foco do que é realmente o seu objetivo. Ou seja: fique de olho no todo, mas sempre com o foco em seu negócio.

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ps.: gostaríamos de deixar aqui nosso agradecimento à Zica Assis e a equipe da Tinno Comunicação que tornou esta entrevista realidade.

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Negócio de Mulher

Negócio de Mulher nasceu de um sonho: inspirar e ajudar outras mulheres empreendedoras. Quem escreve por aqui são as sócias: Karine Drumond e Priscila Valentino com colaboração de outras mulheres que compartilham dos mesmos propósitos.

  • Silvana Nascimento

    E depois dos 45??? Aliso???