Empreendedorismo: o que isso diz de mim?

Ultimamente, parece que essa palavra “empreendedorismo” tem me perseguido. É impressionante como em vários e diversos contextos tenho me deparado com ela. Como observadora da vida e sempre com o desejo de aprender, resolvi parar um pouco e refletir sobre isso. E, como mulher que sou (interessada – e intrigada! – com as questões relativas ao gênero), foi inevitável pensar em como esse empreeendorismo é vivido hoje por nós, mulheres.

Fui buscar o significado dessa palavra tão grande e pomposa, porque não dizer poderosa. Encontrei vários significados, mas o que mais gostei, e que ora compartilho com vocês foi: “Empreender é uma palavra que surge no francês para designar aquelas pessoas ousadas que estimulavam o progresso econômico, mediante novas e melhores formas de agir”. Empreendedorismo é a prática continua dessa forma de fazer. Gostei.

Gostei mesmo da parte que fala das “novas e melhores forma de agir, com ousadia”. Isso me fez pensar na necessidade de estarmos conectados com quem somos. Para pesarmos no que é melhor, precisamos ter uma referência, um padrão. Que referência estou utilizando para balizar minhas escolhas e meu movimento na vida? Se essa referência não estiver profundamente alicerçada no meu propósito de vida, esse melhor pode na verdade ter um gosto amargo e um custo muito alto. Pode significar retrocesso, pode significar a felicidade de outros, mas não a minha.

Outro dia, recebi uma coachee com esse perfil. Uma menina linda, 26 anos, funcionária concursada do Senado Federal. Brilhante. Em Brasília, todos olham para ela e a admiram e até a invejam. Se impressionam e a fala constante é “Nossa! Tão jovem e já com a vida ganha. Você já está pronta. Tem tudo que precisa!” E ela, infeliz.

Vem para o processo de coaching individual com a queixa de se sentir vazia e não se sentir realizada nesse trabalho. Esse sucesso que muitos veem nela e almejam para si, não tem o mesmo valor para ela. Além disso, por ter aquilo que muita gente deseja, se sente culpada, pois julga não estar sendo grata ou capaz de valorizar o que deveria valorizar. Julga como se tivesse algo “errado” com ela, por não querer aquilo. Para essa moça, empreender não foi aquilo que muitos poderiam julgar o melhor. Empreender para ela, foi ter a ousadia de procurar ajuda (vir até o processo de coaching) e desafiar essa noção de sucesso, se permitindo buscar sua própria forma de ser feliz, se permitindo pensar o novo, se permitindo recomeçar.

Buscar a melhor forma de agir, a novidade, precisa ter a ver com aquilo que faz o olho brilhar. Tem que fazer sentido! Tem ser coerente com a vida vivida e desejada: uma vida mais plena e cheia de significados.

Com isso como pano de fundo, comecei a pensar como definiria o Empreender. Pensei em um caminho, que a todo dia se reedita e que é dinâmico, porque o novo de hoje é o velho de amanhã. Mas, é um caminho que tem alguns passos… pelo menos 10!

1) Empreender é ampliar sua visão de mundo. É perceber que para viver o sonho é preciso ter coragem de arregaçar as mangas e se comprometer com ele. Livrar-se de crenças limitantes, livrar-se do “desejo do outro” (dos seus donos). É preciso descobrir “quem sou” e o “que me motiva”, para então pensar no que “quero ser”, “no que vou investir”.

2) Empreender é falar e viver a partir das possibilidades que a vida oferece e não das suas limitações. Falamos sobre o mundo e sobre o viver, muitas vezes, a partir da limitação. Fazemos as vezes do “Advogado do diabo”. Precisamos aprender a conversar a partir das possibilidades. O que essa ideia me abre, o que ela traz? O que preciso aprender de mim, do mundo, do sistema para viabilizá-la? Essas seriam perguntas mais catalizadoras da aprendizagem e que me aproximam do desejado.

3) Empreender é ter compromisso com o processo. É ter responsabilidade, isto é, capacidade de responder/arcar com o compromisso que fiz comigo mesmo e com os outros. Ter responsabilidade sobre quem sou e o que ouso desejar. Esses são os elementos para conseguir concretizar.

4) Para ter esse compromisso, é importante que ele esteja profundamente alinhado com meu propósito na vida. O que cabe a mim? Qual a minha contribuição para a vida? Se pensarmos o empreendedorismo no aspecto mais amplo, perceberemos que as pessoas que verdadeiramente empreendem são aquelas que, na presença do medo, se lançam. Não há como ser diferente. Elas não poderiam fazer outra coisa. Como se tivesse escutado um “chamado”;

5) Empreender não é não ter medo. Mas, é ver no medo um guia e não algo que me paralise. Na presença do medo é que tenho a chance de me colocar à prova, de sentir a força do meu propósito, de checar minha convicção. São provas que a vida nos oferece para lapidarmos o propósito. É na hora que reconheço o medo, que posso aprender da coragem e da ousadia. Só preciso da coragem e ousadia quando diante de algum risco. E, nessas oportunidades, temos a chance de desenvolver a autenticidade.

6) Empreender é ser autêntica. É ser quem se é, e ponto. É se sentir inteira e dona de si!

7) Empreender é ter uma mente de aprendiz! É ver nos erros espaços de aprendizagem que no impulsionam; é correr o risco; se refazer e, se preciso for, recomeçar!

8) Empreender é parar de construir a partir do passado e, estar presente para se deixar encher pelo futuro que quer emergir. Explico: construir o futuro a partir do passado é construir o conhecido, é gerar expectativas a partir do velho padrão. Isso não é empreender. O empreendedor é aquele que vê a brecha, que vê o que ainda ninguém viu. Ele precisa estar conectado com aqui-agora, para vislumbrar o futuro, para antecipar uma necessidade, para cria-la, para escutá-la. Ser um empreendedor da vida é se dar a chance de escutar seu futuro: qual a saudade de futuro que você tem?

9) Empreender é gostar do caminho e desfrutá-lo, isso me fará ter a força para continuar e não abandonar nos momentos de dificuldade. é soltar a ansiedade e se conectar com as surpresas que a entrega para a vida podem lhe proporcionar.

10) Por fim, empreender é se relacionar com qualidade. É ter pessoas na sua vida que acompanhem seus caminhos e descaminhos. Essas pessoas são importantíssimas, pois elas testemunham a sua história e podem lhe lembrar, vez por outra, de quem você é. As vezes, precisamos dos outros para nos relembrar de nós mesmos e das nossas motivações. São essas relações que fazem a vida e as escolhas terem sentido.

Dou-me conta que é exatamente este caminho que estamos trilhando, lado a lado, minha coachee e eu. Ela desbravando, com ousadia, novos mundos e possibilidades e eu, testemunhando sua caminhada e lhe mostrando aquilo que vejo do seu empreendedorismo e construindo com ela a força desse novo jeito de fazer a vida.

“Mas… e o progresso econômico que envolve o empreender?” Talvez, a essa altura, vocês achem que esqueci dessa parte tão importante. Para isso, termino assim: se a maioria de nós estivesse realmente conectado consigo e atuasse no mundo a partir de suas motivações mais profundas em atividades que lhe fizessem sentido, o desenvolvimento econômico do mundo estaria pra lá de garantido. Sem força, mas com real compromisso, com empreendedorismo.

Thirza Reis - Foto Guilherme Taboada  (9)Thirza Reis é master coach, especialista em Inteligência Relacional; com mestrado em desenvolvimento humano e gênero, pela UnB, Brasília; e especialização em coaching avançado pela NewField Consulting, Chile. Empresária, sócia da Homero Reis e Consultores, onde há 15 anos forma coaches e atua no desenvolvimento de pessoas e organizações. É sócia da Librare Psicologia, onde atua com psicóloga clínica.

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About The Author

Negócio de Mulher

Negócio de Mulher nasceu de um sonho: inspirar e ajudar outras mulheres empreendedoras. Quem escreve por aqui são as sócias: Karine Drumond e Priscila Valentino com colaboração de outras mulheres que compartilham dos mesmos propósitos.