Saber pedir é divino: como se expor e criar identificação

O que aprendi com Amanda Palmer sobre a coragem de me entregar, me expor e como criar identificação.

Sabe quando você mal começa um livro e já tem certeza que ele vai ser transformador? Pois é… Foi isso que aconteceu quando comecei a ler “A Arte de Pedir” de Amanda Palmer. Uma mulher que sou fã pela sua ousadia, força e coragem em se expor. Fui uma das 3 milhões de visualizações da sua palestra no TED com o mesmo tema e que acabou dando origem ao livro.

Eu me sinto bem ao perceber que que mudei muito ao longo desses 32 anos. Fui muitas… Personalidades e crises diferentes, questões particulares a cada fase e uma coisa curiosa é a minha relação com o ato de pedir ajuda, ou pedir de uma maneira geral.

Numa fase adolescente (essas fases obscuras da vida) exigia de uma maneira meio manipuladora, sem pedir, que as coisas fossem feitas para mim. Vale reforçar que não tenho nenhum orgulho disso. Depois passei a simplesmente não assumir que precisava de algo, pedir qualquer coisa era um sofrimento enorme e eu nunca sabia exatamente o que fazer quando alguém oferecia exatamente o que eu precisava. Aliás, sabia sim. Era: “- Não precisa, não… Tá tudo bem.”

E isso era para tudo, qualquer situação. Me fez ficar com uma fama de meiga e também de durona ao mesmo tempo, nunca entendi muito bem como. Aquela pessoa que aguenta tudo, faz tudo sozinha, mas é educadinha, porque afinal tem medo do que as pessoas vão pensar.

A verdade é que precisar de uma ajuda seja para carregar algo, seja para comprar uma coisa que preciso e naquele momento não dá, seja para abrir a necessidade de socorro pelos primeiros anos de um negócio, dói. Pronto. Fere o ego, nos coloca numa posição de vulnerabilidade. Lembro do momento exato em que vi a Cíntia Dumiense falando do conflito de ser a mulher independente e aceitar ser, mesmo temporariamente, a esposa bancada pelo marido durante um período de transição de carreiras.

Morei no ninho da minha mãe até outro dia e me deparar com a ajuda dela quando ela disse “agora é a vez do seu sonho” foi emocionante. Afinal, é mãe. E mãe e pai são puro amor. Muita gratidão à eles. Mas quando no meio da história a gente casa, quase fale, adiciona mil novos gastos, muda o cenário e precisa da ajuda do marido, aí a coisa muda. Como pedir dói. Como ser vulnerável é difícil. 

E foi com um nozinho na garganta que comecei escrever esse texto, depois que me agarrei à Amanda Palmer no livro A Arte de Pedir. Em um trecho, ela diz sobre a crise em que entrou na véspera do seu casamento “E no segundo andar da casa, enquanto Neil [o marido] dormia ao meu lado, eu passava por um ataque de pânico total. […] acima de tudo, eu estava apavorada com a questão do dinheiro.” e eu vou ali, me identificando muitas vezes com o ser questionador dela e isso vai causando em mim 4 coisas:

  1. A sensação de: “Tô me sentindo maluca e é normal! Tem gente no mesmo barco que eu!”
  2. Me sinto um pouco parte da vida dela  na medida em que compartilhamos as mesmas questões, medos, sensações e isso me faz gostar mais dela e querer mais de tudo que ela produz.
  3. Percebo que parte do meu medo fica ali, no meio do texto. E ele vai perdendo a força conforme eu consigo compreender que isso faz parte desse momento da vida.
  4. Cai a ficha de que precisar de ajuda é normal. Saber pedir é divino.

Quando a gente entende qual é o nosso problema, a gente pode dizer: “Oi, eu tenho este problema aqui. Como você pode me ajudar?”. Fazer isso de cabeça e alma abertas, de maneira sincera, direta, sem pedir desculpas antes e depois, faz com que tudo seja menos doloroso, especialmente se encaramos o fato com naturalidade. As pessoas compreendem, elas ajudam, elas quebram a cabeça para achar uma solução junto com a gente. É muito mais fácil descobrir o que e como fazer. Além disso, a ajuda vem na maior parte das vezes como um ato de amor. Se expor é se permitir ser cuidada pelos que estão a sua volta e também por aqueles que seguem você e seu negócio.

Então, enquanto eu estou aqui me expondo, contando de verdade o que tem acontecido comigo agora, tem alguém aí que provavelmente se sente um pouco mais normal. E é assim que conexões e relações de confiança são criadas.

Essa é a carinha do livro revolucionário. Se quiser escolher algo para ler e ainda não tiver nada na fila. Escolha esse. :)

Saber pedir é divino: como se expor e criar identificação

Por Priscila Valentino

“despertar"


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About The Author

Priscila Valentino

Comunicadora por formação, empreendedora por descoberta. Trabalha há 9 anos na comunicação digital. É movida pela paixão, por pesquisas e descobertas e mostra um pouco disso por aqui enquanto tenta inspirar outros a fazerem o mesmo. É co-fundadora do Negócio de Mulher.

  • Parabéns! Acabei de chegar e já estou a adorar. Saudações de Portugal