Essa tal felicidade, será que dá pra definir melhor?

Fe.li.ci.da.de. No dicionário, esta palavra pode significar um punhado de coisas bem diversas. Só pra citar algumas: 1 – Concurso de circunstâncias que causam ventura. 2 – Estado da pessoa feliz. 3 – Sorte. 4 – Ventura. 5 – Bom êxito. 6 – a felicidade eterna:  a bem-aventurança. Na nossa cabeça a subjetividade ainda é maior. Se pensar bem, nestes exemplos, felicidade pode ser empregado para expressar sentimento/emoção, estado ou alguma coisa que se alcança. Quando você pensa em uma imagem de uma pessoa feliz, o que vem primeiro na sua mente? Uma pessoa dando saltos de alegria? Uma pessoa calmamente sentada em posição de lótus meditando? No ocidente ou no oriente este conceito pode variar e muito.

O fato é que de tão usada, uma palavra pode perder seu conceito original ou até mudar conforme o seu gosto pessoal. É a banalização da palavra, algo que acontece quando a palavra pode significar tanta coisa pra tanta gente (em tantos lugares no mundo) que fica difícil definir.

Venho estudando Psicologia Positiva aplicada ao coaching e parte deste desafio é tentar definir melhor o que é felicidade, afinal de contas. Já que o objetivo do coaching é buscar um maior sentido, realização, bem estar, satisfação, propósito… e essa tal felicidade. Todos queremos ser mais felizes, melhorar nosso bem estar, evoluir, crescer. A psicologia positiva é a ciência que vem se dedicando a responder como podemos viver melhor, florescer.

Emoções positivas e a criatividade

Pra me socorrer busquei ajuda de alguns cientistas e psicólogos da psicologia positiva e que tem me fornecido insights maravilhosos. A primeira é Bárbara Fredrickson, professora de psicologia da University of North Carolina em Chapel Hill e diretora do laboratório de Psicologia Positiva na mesma universidade. Para Barbara, o cultivo das emoções positivas, como alegria, gratidão, orgulho, diversão, amor são fundamentais para melhorar nosso bem estar e crescimento pessoal. Várias pesquisas desenvolvidas em seu laboratório apontam uma correlação entre cultivo de emoções positivas e aumento da longevidade, melhora no bem estar, saúde. E vai muito além.

As emoções positivas literalmente expandem as funções do cérebro, “ampliam a visão”, em outras palavras, fazem as pessoas pensarem de uma maneira mais criativa, mais ampla.

Ela vem demonstrando como o otimismo aumenta a resiliência e ajuda as pessoas a crescerem. 

Um ponto importante, é que otimismo não quer dizer, eliminar as emoções negativas, mas aprender a equilibrar, balancear. Não tem nada a ver com ser feliz o tempo todo – o que seria uma total perda de tempo e ingenuidade. E um insight maravilhoso: você pode aprender a gerar mais estados positivos na sua vida, agindo de forma a gerar mais emoções positivas no seu dia. Por exemplo, você pode escolher se sentir mais sereno ao parar alguns minutinhos para praticar respiração, yoga ou relaxamento. Não precisa esperar que algo de externo aconteça. Você pode decidir melhorar sua felicidade em gotas, dia a dia.

A felicidade é construída

Martin Seligman é o “pai” da psicologia positiva. Ele prefere chamar essa tal felicidade de “bem estar”. Bem estar, para ele é construído. Quando uma pessoa constrói bem estar, ela “floresce”, se desenvolve, evolui. Como o clima, o bem estar depende de alguns fatores e elementos. Ele aponta 5 elementos que influenciam o bem estar:

  1. o cultivo de emoções positivas;
  2. Engajamento (realizar atividades que fazem você perder a noção do tempo);
  3. Cultivar bons relacionamentos;
  4. Significado (encontrar um sentido ou propósito no que você faz);
  5. Realização e conquistas (ir em busca de realizar seus objetivos).

No inglês, as iniciais dos 5 elementos formam a palavra PERMA (Positive Emotion, Engagement, Relationship, Meaning, Accomplishment).

PERMA Felicidade

Fonte: Authentic Happiness

O conceito de Seligman enriquece a noção de felicidade. Porque me faz pensar que “sentir emoções positivas não é tudo” e que vai muito além de um estado. Isso explica o porque podemos estar nos sentindo bem mas não nos sentirmos satisfeitos porque nosso trabalho não nos desafia ou não faz sentido pra gente (quando não enxergamos um propósito). E também explica “o buraco” que as vezes sentimos quando não conquistamos uma meta ou objetivo (algo que seja muito importante para nós). A verdade é que o bem estar humano é algo complexo, mas por isso mesmo interessante.

O que vem primeiro, sucesso ou felicidade?

Outra coisa intrigante sobre felicidade é que muitas vezes pensamento em felicidade como uma meta, algo a ser alcançado. “Quando eu conseguir tal coisa, vou ser mais feliz”, ou “Quando eu tiver sucesso, aí sim vou ser feliz”… Mas quanto mais estudo felicidade, mais entendo que na verdade é justamente o oposto. Pessoas felizes é que são bem sucedidas, não o contrário. Que o bem estar é que o faz conquistar metas, objetivos, sonhos e não o contrário. As emoções positivas e o bem estar ampliam o modo de pensar e com uma visão mais ampla, você tem maior clareza dos passos que precisa dar ou até das mudanças que precisa fazer para evoluir.

Precisamos aprender a funcionar melhor, no contexto e na circunstância que vivemos, no presente. Acho que devemos ser mais como jardineiros: preparar nosso solo, deixando mais fértil para que as boas ideias cresçam, para que a gente floresça.

Pessoas felizes, trabalham melhor.

É o que reforçam as mais novas pesquisas da psicologia positiva. Cultivar o bem estar, sendo humano, não evitando o negativo, mas balanceando as emoções, construindo a sua própria noção de felicidade.

O que determina a felicidade?

A Sonja Lyubomirsky é outra pesquisadora, professora de psicologia da Universidade da Califórnia que tem pesquisas interessantes nessa área. Ela tem um estudo bem famoso que aponta quais são os fatores que determinam a felicidade. Segundo a pesquisa, 50% é determinado por fatores genéticos, 10% pode ser atribuído às circunstâncias da vida e 40% são as atividades intencionais (coisas, hábitos que você escolhe fazer que aumentam seu bem estar). Essa pesquisa surpreende muita gente que acredita que as circunstâncias da vida (sua classe social, gênero, país que mora, política, economia, etc) determinam a maior parte da felicidade. E também surpreende saber que temos um poder tão grande de mudar (40%).

Um outro estudo que ela conduziu, investigou e tentou responder a pergunta “O que as pessoas felizes fazem ou tem em comum?” e chegou em algumas correlações interessantes:

As pessoas mais felizes…

  • possuem bons relacionamentos,
  • são mais gratos,
  • possuem um foco maior em ajudar os outros (filantropia),
  • são mais otimistas,
  • vivem mais no presente (menos ansiosos),
  • exercitam-se com regularidade,
  • são espiritualizados e
  • possuem objetivos/metas/sonhos.

A correlação que ela encontrou, entretanto, não pode ser interpretada como receita milagrosa para a felicidade. Por exemplo, não é possível afirmar que ao fazer ou imitar estes hábitos iremos nos tornar mais felizes. Mas de qualquer forma não deixa de enriquecer a noção de felicidade.

Tentar delimitar ou definir o conceito de felicidade continua sendo uma tarefa complexa e quase impossível e será mesmo que precisamo definir?

Mais importante que isso é o entendimento e consciência do poder que temos nas mãos. O entendimento de que a felicidade, independe, da definição exata, depende da sua construção, das suas escolhas diárias e que você pode sim, cultivar o seu solo para crescer melhor e mais saudável.

Então prefiro deixar esta pequena reflexão aberta e te convidar a participar:

  • Você também acredita que tem o poder de influenciar e construir seu bem estar, sua felicidade?
  • E a pergunta, que nunca vai se esgotar, o que é felicidade pra você?

E por enquanto eu sigo por aqui curiosa e ansiosa pela sua resposta :)

 

About The Author

Karine Drumond

Karine Drumond é co-fundadora da Negócio de Mulher. Atua ajudando outras empreendedoras a transformarem ideias criativas e habilidades em negócios diferenciados. Também acredita no empreendedorismo como ferramenta de transformação. Trabalha com Design e Negócios Digitais desde 2006 e compartilha seu conhecimento e ideias neste site.